Commercial Jets Embraer Executive Jets Embraer Defense Systems Embraer
 

 
 
  O Flamenco é uma forma de expressão artística que reflete a cultura da Andaluzia, região sul da Espanha, que ao longo dos anos... mais
 
 
 
  Conheça um pouco dos rítmos que incorporam o Flamenco.... mais
 
 
 
  Confira as datas da programação cultural do Centro deArte Flamenca... mais
 
 
 
 

O "Compás" – Grupo do Centro de Arte Flamenca de Campinas é formado por estudantes de flamenco da cidade de Campinas/SP. Fundado em agosto de 1997 através de ... mais

 

 

 

LINKS RÁPIDOS

www.flamenco-word.com
www.deflamenco.com
www.elflamencovive.com
www.elpeque.com
 

 
 

 

SEVILLANAS

As Sevillanas correspondem, como diz o nome, a um ritmo originário de Sevilha, extremamente popular em toda Andaluzia, sendo derivado das antigas "Seguidillas Manchegas de Castilla", aclimatadas à região de Sevilha. Suas formas "bailáveis", que incluem Sevillanas "Boleras", "Corraleras", "Rocieras", entre outras, constituem um dos fenômenos de maior popularização de todo o cante andaluz.
As Sevillanas são muito vivas e tão populares que sofrem constantemente adaptações para novos estilos - que diferem não só pela letra, mas também pela acentuação, linha melódica e harmônica. Ainda que possa ter uma interpretação flamenca, tanto no cante como no acompanhamento musical, a Sevillana não constitui propriamente um ritmo flamenco, sendo principalmente um ritmo folclórico e popular da Andaluzia, que alimenta eventos populares como a famosa "Feria de Abril".
Em qualquer das suas formas a Sevillana se caracteriza como um ritmo construído sobre compassos ternários, com uma estrutura de compassos bastante rígida para permitir o baile característico, usualmente dançado em "parejas". Exige bastante criatividade dos compositores para que os versos se adaptem a esta estrutura rígida e obriga muitas vezes o uso do recurso da repetição de frases para encaixar as coplas na métrica. Sua harmonia pode ser construída sobre tonalidades maiores ou menores, dependendo do tema, sendo possível o uso de estruturas harmônicas mais flamencas.
Ainda que não seja um ritmo verdadeiramente flamenco, existe uma infinidade de gravações de Sevillanas entre os artistas flamencos incluindo quase todos os guitarristas mais conhecidos como Paco de Lucía, Tomatito e Gerardo Nuñes (Recomendamos "Cobre", com Paco de Lucía no CD "Almoraima" - Polygram 1976) e muitos cantaores. Também existe uma enorme quantidade de outras gravações menos flamencas e mais festeiras, de artistas especializados em Sevillanas (que podem ser encontradas em qualquer volume da série "Sevillanas de Oro") com destaque para Salmarina, Los Romeros de la Puebla, Cantores de Hispalis, Los Marismeños, entre outros.
A melhor opção para se ter um panorama completo do gênero, no entanto, é a trilha sonora do filme "Sevillanas", de Carlos Saura (Juan Lebron Producciones, 1992). Nele se pode encontrar todos os estilos e interpretações de Sevillanas, incluindo preciosidades como Camarón de la Isla acompanhado por Tomatito na sua última gravação antes do falecimento precoce. Nesta fantástica gravação Camarón nos brinda com toda sua riqueza rítmica evoluindo uma das coplas para uma buleria e voltando ao ritmo original. Também podemos desfrutar de um raro dueto entre Paco de Lucía e Manolo Sanlúcar ("Sevillana a Dos Guitarras"), além da própria "Sevillanas Flamencas" de Manolo, entre outras.
Sem dúvida, o filme Sevillanas e sua trilha sonora representam um belo painel deste gênero, que consideramos imperdível.

 

GUAJIRAS

A Guajira flamenca pertence a um conjunto de ritmos denominados genericamente como "Cantes de Ida y Vuelta", que agrupam ritmos que se "aflamencaram" a partir de gêneros hispano-americanos. Entretanto, não devemos nos enganar com esta classificação genérica, pois a influência da América (e em particular de Cuba) na música flamenca é bastante notável para querermos reduzi-la aos denominados "Cantes de Ida y Vuelta". Como já comentamos anteriormente quando falamos dos Tangos Flamencos, muitos outros ritmos poderiam ser considerados como 'de ida e volta".
As Guajiras se originaram a partir de um gênero cubano denominado "punto", ou "Punto de La Habana", como era chamada na Espanha. O "aflamencamento" desses elementos cubanos acabaram por cristalizar, a meados do século XIX, num tipo de composição musical que se passou a chamar de Guajira. O primeiro registro de uma possível versão flamenca que se tem data de 1860 quando se apresenta num teatro de Jerez a canção "Guajira". O gênero gozou de grande popularidade a partir do fim do século XIX, entrando numa certa decadência a partir da segunda metade do século XX. Ainda assim foi incluída no repertório dos principais guitarristas no século XX com Miguel Borrul e Ramón Montoya e na década de 30 o cantaor Pepe Marchena evoluiu a Guajira até chegar a um cante mais flamenco, não apropriado para baile.
Atualmente são conhecidas mais de 30 tipos de interpretações diferentes de Guajiras. A Guajira flamenca é cantada numa "décima", 'copla" de dez versos de oito sílabas e a temática das suas letras está freqüentemente relacionada a qualquer tema relacionado com Cuba. Com relação ou ritmo, as Guajiras usam combinações de compassos 6/8 ou 3/4 semelhante a Alegrias ou Cantinhas.
Como audições recomendadas deste ritmo flamenco mencionamos para solo de guitarra a excepcional "Guajiras de Lucia' de Paco de Lucia ("Fantasía Flamenca de Paco de Lucía" Polygram 1969). Para o cante a gravação de Pepe de Lucía (acompanhado por Paco de Lucía e seu grupo) de "Hermosísima Cubana" para a trilha sonora de 'Flamenco" de Carlos Saura (Juan Lebron Producciones, 1995). Também vale a pena conferir no filme de Carlos Saura, o baile para esta Guajira, uma interpretação um pouco clássica a cargo do grupo de Merche Esmeralda.
Entre as gravações mais tradicionais podemos mencionar Pepe Marchena, cuja interpretação deste ritmo pode ser apreciada na faixa "Em um Potrerito" do CD da série 'Grands Cantaores du Flamenco", volume 10 (Lê Chant du Monde, 1986).

 

TANGOS

Os Tangos, como hoje são conhecidos no Flamenco, se originaram do chamado “tango americano”, ritmo originário em Cuba com forte influência dos ritmos africanos e que chega aos portos da andaluzia no meio do século XIX. Do ritmo americano original se originaram os tangos de Cadiz (depois Tanguillos) e os tangos americanos que incorporaram elementos flamencos e deram origem aos Tangos flamencos, como hoje os conhecemos.

Na época da chegada do tango americano à andaluzia, muitos elementos musicais do flamenco se encontravam em estado de cristalização e os intérpretes tiveram neste ritmo uma forma interessante de representar elementos flamencos sobre compassos binários, numa divisão de dois ou quatro tempos, que representava uma novidade com relação aos demais ritmos que utilizavam predominantemente compassos de doze ou três tempos. Desta forma, o Tango Flamenco propriamente dito surgiu na virada do século como o resultado de se adaptar alguns elementos de “jaleos” andaluzes de compasso ternário, e introduzi-los ao compasso quaternário do tango americano.

O Tangos constituem um ritmo bastante rico e versátil, existindo muitas variações em suas interpretações nas diversas regiões por toda andaluzia. Como regra comum o compasso quaternário bem marcado o cante usualmente alegre e festeiro.

Como audições recomendadas deste ritmo flamenco entre os mestres do flamenco mencionamos para solo de guitarra a bela “Solo Quiero Caminar” de Paco de Lucia (“Solo Quiero Caminar” – Polygram 1981), além da interessante “Me Regalé” (“Luzia” – Polygram 1998) que conta com cante de Denquende. Para o cante a gravação de Camarón de La Isla do clássico “Como El Agua” no disco “Camarón – Paris 1987” (Universal Music Spain, 1999).

Entre as gravações mais recentes não poderíamos deixar de mencionar Remédios Amaya, cuja interpretação tão particular deste ritmo pode ser apreciada no filme “Flamenco”, do diretor Carlos Saura, e cujo CD “Me Voy Contigo” (EMI, 1997) apresenta os imperdíveis “Flores Amargas”, “Amarraita en Tu Pelo” e “Turu Turai”, todas com a guitarra de Vicente Amigo. Entre os cantaores recomendamos “Entre Vareta y Canasta”, faixa título do ultimo CD de Dieguito “El Cigala”, lançado em Junho/2000 (Gravadora Nuevos Medios).

E para finalizar, como uma ponte entre a tradição e a modernidade, entre o cante e o solo de guitarra, recomendamos a audição da faixa “Machuka” que reúne o guitarrista Pepe Habichuela e o cantaor Potito e pode ser encontrada nos CDs “Habichuela en Rama” (Nuevos Medios, 1997) e “Jóvenes Flamencos volume VI” (Nuevos Médios, 1998).

 

FARRUCA

Como os Tangos, os Tientos e o Garrotin, a Farruca também pertence à família de ritmos originados do tango americano, que durante o século XIX trouxe à andaluzia a influência africana dos compassos binários e quaternários. O nome Farruca, segundo alguns autores, procede do termo “farruco” como são chamados na andaluzia e em Cuba aos galegos e aos asturianos recém saídos da sua terra. Entretanto, os elementos musicais que constituem a Farruca pertencem na sua maioria ao grupo de ritmos dos tangos. Considerando porém as relações entre este ritmo e a galícia, inclusive em algumas “coplas” em que se faz alusão a esta terra, não podemos deixar de considerar a Farruca como um ritmo flamenco um pouco “agalegado”.

Deixando a história de lado, a Farruca se caracteriza por um ritmo construído sobre um compasso quaternário ou binário, com sua harmonia construída sobre tonalidade menor. O acompanhamento da guitarra é entrecortado ao estilo do tango argentino ou do pasodoble espanhol.

Dentre as várias manifestações do flamenco a Farruca se destaca como baile e como solo de guitarra. No baile se destaca o sapateado com uma grande profusão de contratempos e figuras rítmicas de grande virtuosismo que convertem este gênero em prova definitiva para muitos bailaores.

A Farruca apresenta múltiplas facetas: é um baile predominantemente para homens, tendo sido imortalizada por bailaores como Antonio Gades, e entretanto vem ganhando força entre as mulheres como pode ser constatado na última tournê de Sara Baras. É um dos ritmos mais tradicionais do flamenco atual, tendo alterado muito pouco sua estrutura ao longo do tempo, porém comporta investidas contemporâneas como as de Joaquín Cortez.

Na guitarra a Farruca sempre foi cultivada magistralmente por várias gerações de guitarristas que incluem Ramón Montoya, Sabicas, Niño de Ricardo, Enrique de Melchior, Manolo Sanlúcar e Paco de Lucía.

É entre os guitarristas que encontramos a maioria dos registros discográficos deste ritmos. Entre elas podemos citar como exemplo de uma Farruca tradicional “Almoradi”, com Niño de Ricardo (Grandes Figures du Flamenco - Harmonia Mundi, 1991). Uma visão mais contemporânea pode ser ouvida em “Farruca de Lucia”, na interpretação de Paco de Lucia (“El Duende Flamenco de Paco de Lucia” – Philips, 1972). Por fim uma interessante gravação que apresenta guitarra e baile (taconeo) pode ser encontrada no CD “Flamenco” com guitarrista Paco Romero e o bailaor Pepe Romero.

ALEGRIAS

As Alegrias pertencem à família das “Cantiñas”, nome genérico com o qual se denomina um grupo de gêneros do Flamenco originários da província de Cádiz.

Se diz que as Alegrias são o gênero flamenco que mais fortemente define a forma de sentir da província de Cadiz. Como diz seu nome, elas constituem um cante alegre e forte, tendo representado durante o século XIX a função de cante de festa, que seria durante o século XX ocupado pelos Tangos e, principalmente, pelas Bulerias.

Ainda que sendo um cante de festa, uma exteriorização da alegria interior de maneira profunda e completa, as Alegrias apresentam em si um elemento mais profundo, oculto entre seus compassos mas claramente perceptível nas interpretações dos grandes cantaores. Este toque de sofrimento e tristeza, jogado a segundo plano pela explosão da alma que se recusa a ser triste poderia ser definido como a alegria de quem conhece a dor, por isto mesmo muito mais forte e profunda.

Deixando história e outras considerações de lado, podemos acrescentar que as Alegrias são construídas sobre compassos compostos de 12 tempos, típicos de muitos bailes flamencos, cuja configuração mais usual (ainda que não seja a única) apresenta tempos fortes em 2-3-6-8-10. Utilizam tons maiores e têm uma composição harmônica tradicional bastante conhecida, quem vem sendo renovada pelos artistas flamencos contemporâneos com a adição de variações sobre acordes menores.

Como audições recomendadas (diríamos imperdíveis) deste ritmo flamenco entre os mestres do flamenco mencionamos para solo de guitarra a bela “La Barrosa” de Paco de Lucia (“Siroco” – Polygram 1987) e para o cante a gravação de Camarón de La Isla do clássico “Un Tiro Al Aire” no disco “Flamenco Vivo – Camarón con Tomatito” de 1987, rara gravação ao vivo de onde os versos desta tradicional alegria são realçados pela voz magnífica do mestre:

“Que con la luz del cigarro
Yo vi el molino
Se me apagó el cigarro
Perdi el camino…”

Entre as gravações mais recentes recomendamos “Cigala del Puerto”, com Dieguito el Cigala (Undebel – EMI Odeon 1998) que apresenta uma Alegria contemporânea com inovações harmônicas interessantes, sem perda dos elementos essenciais, e “Luna de la Victoria”, com José Mercé (“Del Amanecer” – Virgin Records 1998), magnífica composição de Vicente Amigo, com um pé na tradição e outro na modernidade.



TANGUILLOS

Os Tanguillos na sua concepção mais tradicional se destacaram inicialmente como sendo um dos diferentes estilos musicais usados pelos “gaditanos” (como se denomina aos que nascem em Cádiz) para expressar seus versos de carnaval. As melodias carnavalescas de Cadiz executadas no mais puro ambiente flamenco provocaram a cristalização do Tanguillo tradicional como gênero musical.

Sobre sua origem musical, podemos dizer que o Tanguillo, também chamado por alguns “Tango de Cadiz”, pertence à mesma raiz dos Tangos Flamencos, dos Tientos e de outros ritmos semelhantes, todos eles derivados do tango andaluz primitivo ou “tango americano”, cuja origem remonta à Cuba e que aportou na andalucia no século XIX.

O compasso do Tanguillo se baseia numa superposição de ritmos binário e ternário, que resulta num compasso 6X8, cujo acento rítmico é bastante característico e conhecido. É interessante comentar que o acento rítmico do Tanguillo mais tradicional sofreu uma evolução bastante importante pela ação de criadores flamencos contemporâneos, como Paco de Lucia, resultando num Tanguillo contemporâneo, muito divulgado e difundido pelos artistas flamencos mais jovens.

Como audições recomendadas deste ritmo flamenco entre os mestres do flamenco, mencionamos para solo de guitarra “Casilda” de Paco de Lucia (“Siroco” – Polygram 1987), que representou um ponto de transição rumo ao Tanguillo contemporâneo, e “Una Rosa Pa Tu Pelo” de Camarón de La Isla (“Potro de Rabia y Miel” – Polygram 1992). Também é interessante a audição de um tanguillo tradicional como por exemplo “Aquellos Duros Antiguos”, gravação de Pepe Romero e Chano Lobato” (“Flamenco” – Philips, 1991).

Entre as gravações mais recentes recomendamos “La Brisa de Tu Cuerpo”, com Ginesa Ortega (Oscuriá – Harmonia Mundi 1998) que apresenta uma bela e interessante melodia construída sobre um tanguillo contemporâneo e a imprescindível “Dos Toreros” na voz de Remedios Amaya (“Me Voy Contigo” – EMI Odeon, 1997), letra de M. Ruiz Quero sobre belíssima composição de Vicente Amigo.